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MENSAGEM DE AGRADECIMENTO

AGRADECIMENTO
Itaici, 1° de julho de 2000
O Deus de bondade, que chama a todos para amá-lo e segui-lo, chamou-me de maneira especial para servi-lo na Companhia de Jesus. Descobrir essa realidade foi uma tarefa difícil, porém gratificante. Começou ainda menino com a inquietação provocada pela palavra “vocação”. Toda vez que um grupo, onde eu estava, rezava pelas vocações eu me questionava: “Deus vai mandar algum vocacionado do céu ou vai chamar alguém de nós? Certo de que Deus não mandaria ninguém do céu, mas chamaria alguém dentre os que rezavam, comecei a pensar que o chamando seria para mim e passei a ter um medo toda vez que ouvia a palavra vocação. Era mais ou menos parecido com os pernilongos que à noite nos incomodam. Você não sabe de onde vem, mas está zunindo e zunindo no ouvido. Assim era para mim a palavra vocação.
Com a ajuda de muitas pessoas comecei a perceber que o seguimento do Cristo não era motivo para medo, mas um desafio para o cristão merecedor desse nome. Ou se é seguidor do Cristo ou não se é cristão. E uma forma de levar esse seguimento a uma radicalidade maior é a vida consagrada.
Após algum tempo, comecei a não mais ter medo, mas a desejar viver tal vida de consagrado. A catequese na comunidade São José, em Videiras (bairro de Indaiatuba SP), feita nos finais de semana, parecia-me pouco, eu queria uma dedicação integral à pastoral e ao anúncio do Evangelho. Eu queria me consagrar totalmente a esse serviço.
A Companhia de Jesus se abriu como a oportunidade para viver essa consagração. Nela fui bem acolhido e nela aprendi a amar mais ao Cristo e à Igreja. Esse amor à Igreja se mostrou em rostos concretos de tantas pessoas de comunidades e grupos de pastorais. Rostos agora presentes aqui nesta assembléia e outros que ficaram distantes fisicamente, mas muito próximos em meu coração.
Diante dessa caminhada, como agradecer por ter chegado até aqui? Deus tantas vezes se mostrou bondoso e presente. Tantas pessoas ele enviou em meu caminho que enumerá-las seria tarefa infindável. Desde meus pais, que me ensinaram a fé, passando por catequistas de Traviú e de Videiras, por amigos das comunidades, por colegas jesuítas, religiosos e religiosas de tantas congregações, leigos (pessoas de diferentes lugares, posições sociais, faixas etárias, diferentes em tudo, mas unidas na amizade e no amor ao Cristo.) passando por formadores e por superiores que me ensinaram a discernir a vontade de Deus para a missão. Todas essas pessoas foram o braço carinhoso do PAI me conduzindo até aqui.
Como agradecer a Deus por tão grandes graças? Como agradecer por tão grandes benefícios? Como agradecer a esse amor sempre fiel? Penso que palavras não bastam para agradecer. Hoje começa o meu compromisso de agradecer com a vida. Não foi por ser melhor que Deus me escolheu, [parodio o profeta Amós, “não sou profeta nem filho de profeta”, sou filho de plantador de uva, plantador de uva também. Tirado do meio da roça, do meio da lavoura para segui-lo, e disso muito me orgulho. Mas agora são outras videiras, são outros parreirais e são outros frutos]. E da maneira como me escolheu poderia ter escolhido tantos outros. Mas Deus me escolheu porque confiou que meu sim seria serviço à Igreja, ao mundo e à vida. E gostaria de começar a agradecê-lo colocando a vida a serviço dos irmãos. E esse serviço para mim será sempre dever de gratidão.
Pe ELCIO JOSÉ DE TOLEDO SJ
Escrito por Comunidade Vocacional jesuítas às 11h12
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