história dos jesuítas

Pe Elcio José de Toledo, SJ
Neste ano lembramos os 250 anos de um fato triste de nossa história brasileira, a expulsão dos jesuítas de Portugal e suas colônias feitas pelo Marquês de Pombal.
Desde 1549 em terras brasileiras, os jesuítas construíram um verdadeiro império espiritual no Brasil, sendo muito influentes em todos os campos do Estado. Com o advento do Rei D. José I e de seu primeiro ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, os jesuítas foram combatidos por opor-se ao novo projeto do governo real.
Havia vários conflitos entre jesuítas e a Coroa Portuguesa, como a educação (os jesuítas tinham cerca de trinta colégios nas colônias onde desenvolviam a educação humanista clássica) e a questão indígena. O estopim foi a dificuldade dos jesuítas de aceitarem o tratado de Madrid, assinado entre Portugal e Espanha em 1750. Por esse tratado, haveria uma troca de territórios entre essas duas nações e no território que seria do Brasil (atual Rio Grande do Sul) estavam sete comunidades indígenas dirigidas por jesuítas. Portugal não queria essas comunidades em seu território e urgiu a transferência delas para território espanhol.
Era loucura pensar que os indígenas deixariam as terras de seus ancestrais para migrar para uma terra desconhecida. Eles resolveram ficar e lutar por seu território, mesmo que isso significasse uma guerra contra Portugal. Houve a guerra e os indígenas foram aniquilados. Os jesuítas foram acusados de apoiar os indígenas e com isso foram perseguidos e expulsos de Portugal, ainda que os jesuítas das missões fossem espanhóis e não portugueses.
Com a expulsão, muito do trabalho realizado em 210 anos de trabalho foi perdido. Os colégios foram fechados e não se abriram outros em seu lugar, os índios não tinham mais seus defensores e a língua tupi-guarani não foi mais ensinada. Com a expulsão dos jesuítas, o caminho ficou livre para o Marquês revelar sua verdadeira intenção, perseguir a Igreja e tentar acabar com o cristianismo. Mas a catequese estava bem plantada no coração dos brasileiros e seu intento não foi possível. Pelo contrário, os jesuítas foram muito bem acolhidos quando retornaram quase cem anos depois e tentaram recuperar, pelo menos em parte, o que fora destruído no tempo da perseguição.
Lembramos esse fato não para lamentar, mas para aprender com a história e perceber que a perseguição, incompreensão e martírio fazem parte da vida de quem quer ser verdadeiro discípulo de Cristo. A Companhia de Jesus só foi expulsa do Brasil porque foi fiel ao Evangelho num tempo de tirania. Que o exemplo desses jesuítas nos ensine a também sermos fiéis ao Evangelho mesmo em tempos desfavoráveis.