história dos jesuítas
A VOLTA DOS JESUÍTAS AO BRASIL
Reginaldo Sarto, SJ

Depois que a Companhia de Jesus foi restaurada, em 1814, começou a crescer o número de seus membros de forma surpreendente. Foram os jesuítas espanhóis os primeiros a se restabelecerem na América do Sul em 1816. O local desse retorno foi Buenos Aires, por vontade do ditador argentino Dom João Manuel Rosas. Embora os Jesuítas tivessem sido recebidos com triunfo, não demorou para que Rosas lhes impusesse que fossem partidários do seu governo. O então superior regional, Padre Mariano Berdugo, SJ foi extremamente contrário à imposição e orientou os seus companheiros que resistissem. Rosas pressionou os jesuítas até mesmo com ameaças. Em resposta ao ditador, Padre Berdugo escreve com rigor: “é muito fraco o poder do senhor Rosas para destruir a Companhia de Jesus. Poderá expulsar-nos, mas não se encerra o mundo no curto espaço Buenos Aires. Poderá degolar-nos e assim aumentar o número de vítimas. Mas a Companhia de Jesus só Deus do céu e o papa na terra poderão extingui-la. O senhor Rosas, por mais que queira, não é senão um homem e há um Deus que é mais do que ele, e a ele e a mim há de julgar”. Talvez o interesse do ditador fosse utilizar da influência da Companhia para tirar proveito próprio, mas a missão dos Jesuítas é de profetizar e não se atemorizar diante de situações que vá contra o que se deseja dela a Igreja. Por isso mesmo muitos jesuítas derramaram seu sangue, não calando diante das ameaças, mas sendo sinal de justiça no meio dos desfavorecidos. A voz de muitos podem ter sido caladas, mas a palavra de Deus permanece por causa dessas vozes.
Dadas as dificuldades e instabilidade na Argentina, pareceu favorável a reorganização da missão no Brasil. Então, o Padre Berdugo viajou para o Rio de Janeiro em dezembro de 1841. Sua intenção era averiguar as possibilidades de reatar o contato missionário com o Brasil. Os Jesuítas, a princípio, entraram disfarçados no país para sondarem o espírito dos brasileiros em relação à Companhia. Ao se apresentar como Jesuíta, o Padre Berdugo, ao internúncio do papa no Rio de Janeiro, Monsenhor Campanônico, ficou contentíssimo e ofereceu todo apoio para os Jesuítas iniciarem o trabalho. Padre Berdugo chamou a outros jesuítas de Buenos Aires e, em 1842, começou a missão Argentina no Brasil. Em seguida, a pedido do governador da Província do Rio Grande do Sul, os Jesuítas começaram a se estabelecer no sul do país. Em 1843, vieram outros jesuítas do Uruguai para Santa Catarina. O empenho deles no sul era com missões rurais e catequese, até 1845, quando houve um pedido para que abrissem um colégio em Santa Catarina. Este prosperou e chegou a ser visitado pelo Imperador Dom Pedro II. Apesar da esperança depositada nessa escola, foi fechada por causa de uma endemia de febre amarela. Foi mantida em Porto Alegre uma residência jesuítica e mais tarde abriu-se outra em Santa Catarina.
De 1843 a 1853, os missionários trabalharam como párocos, evangelizaram as colônias alemãs do Brasil e organizaram as reduções com as tribos indígenas do Rio Grande do Sul. Apesar das dificuldades de fazer prosperar as obras missionárias, converteram muitas almas. Em 1864, a missão do Brasil se separa da Argentina. Padres italianos dirigiam um seminário em Porto Alegre, as colônias alemãs estavam bem assistidas e, dessa época em diante, a Companhia começou a crescer cada vez mais no Brasil.
Em 1867, a missão foi subdividida ficando a província germânica responsável pelo Rio Grande do Sul e os outros estados por conta da província romana. Essa organização durou até 1911 quando foi novamente dividida em três missões: a meridional, que comporta os três estados do sul e ficou com a província germânica; a missão central, que abarcava os estados do sudeste, confiada a província romana; e o norte e nordeste, a cargo dos padres portugueses.
Tudo que a Companhia é e faz hoje no Brasil se deve aos esforços desses missionários, que dedicaram suas vidas nessas terras, movido pelo amor de Jesus Cristo por quem somos chamados e enviados a anunciar o seu Reino. A propósito da missão Jesuíta hoje no Brasil, falaremos mais na próxima edição deste informativo.