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Comunidade Vocacional dos Jesuítas (BRC)

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A CRUZ DE PILATOS E A CRUZ DE CRISTO

 

Pe. Elcio José de Toledo SJ

 

Maldita seja a cruz de Pilatos

Feita para punir e amedrontar

Bendita seja a cruz de Cristo

Que enche de valentia aos discípulos ocultos: Nicodemos e José de Arimatéia.

Que faz com que venham à luz contemplar um morto, aqueles que vieram à noite falar com um vivente. (Jo 19, 38-42).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos

Que faz as mães chorarem.

Bendita seja a cruz de Cristo

Que faz das mães, mulheres valentes ao lado da cruz. (Jo 19, 25. Mt 27, 55-56).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos

Feira para separar, dividir e dispersar.

Bendita seja a cruz de Cristo

Que une numa mesma casa a família carnal e a família espiritual de Jesus. (Jo 19, 26-27).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos

Feita para calar os homens.

Bendita seja a cruz de Cristo

Que faz que o centurião romano, um pagão, reconheça, pela morte, ao Deus que não reconheceu por sua vida, e seja o primeiro a proclamá-lo. (Mc 15, 39).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos Feita para punir e castigar.

Bendita seja a cruz de Cristo

Que salva e recompensa o mais desgraçados dos bandidos na pior hora de sua vida, fazendo dele, que era o último, o primeiro no Reino de Deus.

(Lc 23, 39-43).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos

Feita para marcar o escravo criminoso

Bendita seja a cruz de Cristo

Que proclama o verdadeiro rei. (Jo 19, 19).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos

Feita para ser motivo de desprezo e vergonha.

Bendita seja a cruz de Cristo

Que se torna ícone da vitória. (Gl 6, 14).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos feita para que escorra o sangue da morte.

Bendita seja a cruz de Cristo

De onde sai a água e o sangue da vida. (Jo 19, 34).

 

Maldita seja a cruz de Pilatos feita para destruir e aniquilar.

Bendita seja a cruz de Cristo

Que constrói a Igreja e encoraja os apóstolos. (1Co 1,18.23-25)

 

Maldita seja a cruz de Pilatos, feita para o ódio.

Bendita seja a cruz de Cristo

Onde se encontra o verdadeiro amor. (Jo 15, 13)

 

CRUZ DE CRISTO, QUE NÓS TE AMEMOS E JAMAIS NOS SEPAREMOS DE TI.

 



Escrito por Comunidade Vocacional jesuítas às 09h47
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PENTECOSTES

Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, Aleluia, Aleluia!

 

Desde o sábado de Aleluia até o final do tempo pascal presidiu nossas celebrações, num reinado litúrgico de 50 dias, o Círio Pascal. Essa presença no altar se converte num magistério mudo e simbólico do que vem a ver a vida nova do cristão ressuscitado.

1º) O Círio Pascal nos dá uma lição de trabalho. A palavra círio vem de cera. A cera é o resultado do trabalho infatigável de milhares de abelhas que reuniram os quilos de cera do Círio. Ele é o fruto de um enxame em constante atividade: idas, voltas, cargas pequenas... É uma lição de trabalho que nos convida a gastar nossas energias, nossas forças, nosso talento e nossa atividade para Deus, sem roubar-lhe nada.

2º) O Círio, indiretamente, nos ensina doçura. Do favo de cera exprimido saiu o mel que guardavam essas células perfeitas. Uma doçura que na vida do cristão ressuscitado se traduz em doçura de caridade fraterna: sem ódio nem amarguras, sem palavras ásperas, sem rudeza, sem egoísmo nem paixões. “A caridade é paciente, é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor(1Co 13)

) Uma terceira lição para a meditação pascal a partir da contemplação do Círio pascal é a pureza. O Círio é puro, limpo como uma coluna de marfim. Assim deve ser nossa vida. A cera virgem do Círio pascal nos recorda a pureza e a limpeza que deve ter quem se aproxima do Cordeiro Imaculado: Jesus Cristo na Eucaristia.

4º) O Círio nos fala de retidão. Vertical e fiel ao prumo, marca a única direção verdadeira. Sua atitude nos fala do cumprimento do dever, de justiça, de fidelidade. Assim é o caminho para Deus, deve ser reto e contínuo, constante e sem desvios para os afetos desordenados.

5º) O Círio, com sua presença, nos fala de desprendimento. Do alto, desprendido do solo, aspirando ao céu como os ciprestes. É a vida do ressuscitado, a vida de esperança, de desprendimento dos que não temos aqui nossa cidade e pátria permanente, mas vivemos como de passagem, o que nos faz desinstalar-nos de nós mesmo. Disse São Paulo: “Se vocês ressuscitaram com, busquem as cosas do alto” (Col 3,1).

6º) O Círio fala também de sofrimento. É semelhante a alguém que sangra. Sua pele, na noite de Páscoa é rasgada pelo estilete e, nela é gravada uma cruz. Devemos seguir pedindo luz para entender esta cruz e chegar, como São Paulo, a embriagarmo-nos com ela, gloriando-nos em Jesus Cristo crucificado (Gal 6, 14).

7º) Outra lição, e não menor, é a do amor. A vocação do Círio durante o tempo pascal é arder. Ser uma chama cálida, silenciosa, que coroa esta figura branca. Toda a cera do Círio é para alimentar essa chama. A vocação do cristão ressuscitado é arder, arder de amor, que é o mais nobre, belo e grande sentimento. Amor aos irmãos e amor a nosso Deus. Amar o Amor.

8º) O Círio continúa falando de redencão e luz. Ilumina a todos los que le rodean. El cristiano esta llamado a ser faro apostólico, a irradiar a los que viven en su entorno con criterios, con palabras, con vida evangélica, con el ejemplo, transpirando el buen olor de Cristo que hemos aspirado antes de a noche pascal. Muchos encontrarán, así, en nosotros, luz para el camino.

9º) O Círio fala também de solidão. Está só. Isolado no presbitério, separado das velas e luzes. O cristão ressuscitado também atravessa momentos de solidão, a incompreensão, o abandono, a distância dos amigos. Tudo isso são provas permitidas pelo Senhor. Mas este despojamento traz a companhia presente de Deus. Dá-se um salto gigantesco: a partir da máxima pobreza e vazio até a máxima riqueza e plenitude. Deus preencherá o vazio se aguardamos com paciência. O Círio é o rei da noite pascal. O rei da noite escura, das trevas e escuridões. Pois sabemos que ao final da noite desponta e se levanta a aurora.

10º) Por último, a lição de holocausto. Como o incenso se queima totalmente no turíbulo para subir a Deus, para perfumar com bom odor e irradiar esse aroma, assim se queima o Círio totalmente para dar luz. A cera vai-se fundindo pouco a pouco. Vai subindo pelas fibras do pavio até o alto para queimar-se. Pasam os dias e o Círio irá diminuindo, gastando-se no serviço de Deus. Algo assim deve ser a vida do cristão: consumida e queimada em holocausto para Cristo, em sua honra, serviço e louvor.

Bom! Dez palavras: trabalho, doçura, pureza, retidão, desprendimento, sofrimento, amor, luz, solidão e holocausto. Muitas lições que merecem ser contempladas e meditadas não só durante a páscoa, mas também por todo o tempo.

 



Escrito por Comunidade Vocacional jesuítas às 22h50
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